segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Le souffle

 Essai sur le vent

I. Au-dessous

Ela, se ocupava em ampliar a alma enquanto o mundo que se ocupa de apequená-la...

A moça gostava era de ficar na janela e observar quantos tons de verde o sol brincava com a cor da grama a fim de confundi-las se eram realmente verdes ou se eram também amarelas. Gostava de imaginar que o vento fazia as árvores dançarem A morte do Cisne. Gostava de observar as nuncias do imprevisível vento e como eram os balançares melodiosos de seus sopros...E de todos os observares da natureza através daquela janela, era o vento que ela mais se identificava...

Ela nunca sentiu realmente o vento a balançar seus cabelos a soprar sua nuca e a cheirar o seu perfume, ela apenas gostava de observá-lo pela janela, assim poderia imaginar que o vento era também dança e música...  O vento bailarino que é corpo. O vento músico. O vento orquestral.. As vezes ela percebia que uma folha dançava quando o violino tocava, e a outra dançava quando os trompetes se iniciavam. Havia também aquelas mais ousadas que dançavam toda a canção ao entrar de todos os instrumentos, mas haviam outras que permaneciam paradas. Essas eram as pausas entres os acordes da canção.. A música que é feita do silencio é o vento que ela imaginava ser feito de canções.

"Quais músicas dançam as árvores?"
" Quais canções sopram os ventos?"
"Como são as levezas de uma pluma o simples dançar das copas das árvores?"

E assim passava o dia a pensar e a imaginar o vento.

II.  Au-dessus

Ele se ocupava em instalar antenas enquanto o mundo se ocupava de ocupá-las...

O moço acreditava nas alturas, acreditava que podia amarrar tudo em suas antenas. Ele achava que podia amarrar o falar, amarrar o amar e também amarrar o instante único e impalpável do próprio tempo...

Sobre as antenas ele via toda a cidade e gostava de imaginar quais seriam as conversações que passavam por elas...O cálculo exato para necessidade de uma antena era a soma da vontade com a ausência do abraço,  a cada parafuso pregado era um encontro que ele permitia. O moço se orgulhava de seus cálculos matemáticos que não considerava os números e sim os sentidos, os sentimentos,a subjetividade dos indivíduos que ele não conhecia. Seu trabalho consistia basicamente em calcular a aproximação entre "vontade de" com o "falar a"...

Em cima das antenas sua única companhia era o vento.





segunda-feira, 19 de novembro de 2012

"Abre-te, Sésamo"



"É preciso saber sentir, mas também saber como deixar de sentir, porque a experiência é sublime pode transformar-se em igualmente perigosa. Aprenda a encantar e desencantar. Observe, estou lhe ensinando qualquer coisa de perigoso: a mágica do 'Abre-te, Sésamo'. Para que um sentimento perca o perfume e deixe intoxicar-nos, nada há de melhor que expô-lo ao sol"

Nessa tentativa de desintoxicar-me de mim mesma encontro-me exposta ao sol. Que me queima. E em carne viva sinto-me em tanta solidão e que quase fico plena de felicidade. É melhor eu me afastar do espelho que não reflete mais a minha imagem. É melhor ser um espelho em branco.

Buscar-me? E nessa busca vim parar aqui, tão calmo que minha alma se deixa espalmar. Por que esse medo de engrandecer a alma?

Deve ser porque sinto. E sinto. Sinto profundamente... e as vezes sinto sofrendo...

Esticar a alma é como esticar uma coluna que viveu a vida inteira encurvada para mim mesma. Abri-se para o mundo, abrir-se ao desconhecido. Descobre-se. "Abra-te, Sésamo"!

Estou extremamente sensível.. como nunca fui. Algumas coisas me atrapalham viver. Devo esquecê-las?

A emigalhação da minha desconhecida existência.. Voei pra cá! Pedaços ficaram por lá.. Pedaços não estão nem aqui e nem lá... Se perderam? Morreram?

Mas "a única atitude digna de um homem é a tristeza, a única" [C.L]

Annelise
06/09/2012 Clisson, France


terça-feira, 1 de maio de 2012

Para ler sem respirar

Ele mente
Ele sente
Ele se faz gente
Ele cala
Ele fala
Ele usa da palavra
Uma navalha
Ele destrói
Ele me destrói
E é o meu pulsar
A descompassar
Desconjuga o amar

Eu vou
Eu fui
Eu volto
E vai-se o tempo
E volta o sentimento
E volta
E completa a volta
O eterno retorno
E
Era eu
E
Era ele
E

Ele mente
Ele sente
Ele se faz gente
Ele cala
Ele fala
Ele usa da palavra uma navalha
Ele destrói
Ele me destrói
E é o meu pulsar
A descompassar

Eu vou
Eu fui
Eu nunca vou
Eu minto
Eu falo
Eu só uso a palavra
Como medalha
Eu me destruo
Eu o destruo
E quando o tempo finge passar
Eu finjo ser tempo
Eu finjo que não senti o penar
Eu respiro fundo
Eu tenho medo
E

Eu volto
Eu gosto
Eu me exponho
Eu sofro
Eu gosto
Eu roço
Eu roso
Eu posso
Eu doço
E

Eu vou
Eu vou
E
Ele...
Ele não vem
Ele não vem
Ele não vem

segunda-feira, 2 de abril de 2012

No onibus sem desculpas

As vezes eu tenho vergonha de ser ser humano.

Tenho notado que cada vez mais todas as pessoas tem sido intolerantes. Não aceitam mais nenhum pedido de desculpas. Vira e mexe eu piso sem querer no pé de alguém, peço desculpas e não obtenho nenhuma resposta. As pessoas simplesmente não olham na minha cara, nem para me xingar, nem para dizer que eu não amassei seu pé precisando levar urgentemente ao médico para amputação do membro.

Hoje no onibus ocorreu algo do mesmo teor e me deu uma dó tão grande do motorista, que até agora está difícil de engolir.

Algumas pessoas deram o sinal para descer do ônibus no ponto que estava se aproximando. Desceram uma, duas, três pessoas e uma senhora que estava nos últimos degraus levou uma baita susto, pois a porta estava quase fechando seu nariz para o lado de fora. O motorista não viu (obviamente) e todos os passageiros (inclusive eu) gritei para o motorista abrir a porta. Com razão a mulher ficou brava com o motorista. Ela o xingou de mal educado, começou a berrar. O motorista muito assustado se desculpou com as mãos juntas e o rosto de cão sem dono. A mulher não deu a mínima e o xingou mais ainda...

Tudo bem, a mulher teve razão em ficar nervosa... Mas não aconteceu absolutamente nada com ela, ela não perdeu seu nariz... o motorista não saiu andando com ela sendo arrastada e todos gritando "pare". Foi um erro completamente humano. O motorista estava sozinho no carro, tendo que passar os bilhetes, recolher as passagem, parar nos pontos solicitados, etc. Isso não justifica o seu descuido, mas justifica o fato dele ser um ser humano passivel de erros.

Vivemos em mundo que não se deve errar e que pedir desculpas não é mais questão de perdão é só a confissão de que se é distraído e aceita estar sujeito a ser julgado por qualquer atitude erronea e enganosa que teve.


terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Était sur ​​la ligne


Há duas razões

Há duas razões para não ser quem eu sou:

A primeira é só o fato de dizer que existe razão de não ser quem eu sou
A segunda ainda não sei explicar

A geometria das interligações