segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Sem linhas

Quero escrever e colocar para fora essa angútia. Não sei por onde começar. Resolvi que ela vai nascer dessas palavras des-uniformes que construo nesse texto.
Essa manhã pensei em um diálogo entre eu e alguém que pode me ajudar. Uma mulher mais velha talvez, uma escritora que gosta de fotografias e moda. Queria perguntar para ela como faço para deixar de ficar ansiosa, angustiada como estou ultimamente. Quais livros tenho que ler? Qual país tenho que ir para conhecer? A Índia?Viver em Paris? Assistir os filmes do Woody Allen? Com quem tenho que conversar? Como o monge no templo Zu- Lai? O que devo ouvir? Verdi em La Traviata? Debussy? Noel Rosa? Tom Jobim?

O que devo fazer?
Ela me diz:
Deixar de procurar a salvação fora de você. Você tem que ouvir-se mais. Ler-se mais. Assistir-se mais. Não deixar que os estímulos externos possam intervir na sua subjetividade, ouvir os "rumores discretos da subjetividade".

Misterioso, misterioso e belo!!

Você está bem?
To viva! é assim que respondo. E complemento: vamos mudar de assunto. E ai como vai? Fala de você, não vamos perder tempo falando de mim... Afinal, nem sei falar de mim. Sei viver. Vivo assim, no acaso, o instante me chama. Vamos tomar sorvete de iogurte com frutas vermelhas? Vamos! Vamos colocar canela na calda do sorvete? Vamos! Vamos ver a peça do Zé Celso? Vamos! Vamos deitar nesse colchão azul com cara de baleia de mangá e ler o Fio das Missangas? Mia Couto... Vamos subir na Torre do Banespa, ver a imensidão oceanica de poesia concreta? Vamos!!

E tudo anda assim no balanço do tempo, na improviso de saber sobreviver a vida, a tristeza, a angústia.

Eu sou algo que mudou de mim. Minha casa pegou fogo. Meu corpo é minha casa. Em chamas saio rodopiando procurando minha alma que se foi com o vermelho do fogo. Me procuro como um sem teto procura a parede. Me procuro como um aventureiro procura sua caneta esquecida no Polo Norte. Me procuro como uma exilada de mim mesma!

Sem rimas vou vivendo. Procurando minha rima: "Amor sem dor"

Sem o cheiro de Dama da Noite, ouço mais o cheio do silêncio. Tudo me silencia: meus sentimentos que não consigo explicar. Minha tristeza maquiada de sorriso. Meus olhos carregados de fortaleza. Queria poder dizer o que não sai, não sei explicar. É como se alguém me perguntasse para explicar a teoria da relatividade. Sei me encontrar como sei a teoria da relatividade! Isso me lembra: "Sou simples como Bach" (C.L)

Essa verborragia sem linearidade, é o que sai inoperante pela vida. Precisei registra-la como forma terapeutica de me sentir viva!



 

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