quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Acaso

From: annelisefaria@hotmail.com
To: midiasp@gmail.com
Subject: Acaso
Date: Wed, 25 Mar 2009 22:27:11 -0300


Queria desenvolver uma teoria sobre o Acaso. Claro que a idéia não nasceu de dentro de mim. Aliás, nasce e não nasceu, o fato é que ela existe em algum canto do meu cérebro (gostaria de dizer cerebero, mas não sei se existe essa palavra, mas ela me traz a idéia de que cerebero é a substancia que existe no cérebro, portanto o cerebero é mais importante que o próprio cérebro).

Já vou te avisando: Eu não tenho linearidade! Começo muitos assuntos e paro no meio, termino muitos assuntos que nem começei. Meus textos são cheios de pontos, reticencias, parágrafos e vírgulas fora do contexto. Nem sempre eu respiro, nem sempre me preocupo com a gramática. Mas, o que eu sei é que não sei bem ir direto ao assunto.

Bom esse e-mail se chama o Acaso e eu disse que pretendia aqui desenvolver uma teoria do Acaso, uma teoria da coincidência... Aí, fui procurar e visitar os arquivos da minha memória um momento que houve uma coincidencia. Mas queria que tivesse você ali pelo meio, ali nadando ou flutuando no vão do pensamento...
Não, não... nadando ou flutuando não, pq. uma coisa que tenho percebido nos últimos tempos e que a última coisa que vc não tem estado é nadando ou flutuando em meus pensamentos! Você tem estado bem presente, uma presença quase personificada quando só há abstração. Uma presença quase concretizada onde só existem pensamentos soltos. Uma presença bastante dura, forte como uma rocha ou um vidro, forte como o Maguila e o Incrível Huck, forte como meu coração não é...

Quando saí do banho naquele dia, lá pelo final do ano passado eu já sabia que aquela noite seria incomum... E foi! Primeiro resolvi me travesti, coloquei uma calça por cima de um vestido e uma sapatilha vermelha que tinha acabado de comprar... Eu até me pintei, coisa que nem sempre tenho paciência de fazer, muitas vezes me acho uma palhaça, me sinto horrivelzinha (digo horrivelzinha pq. tbm me acho bonita). Enfim, criei um personagem, como todos fazemos qnd. vamos a uma noitada! Aí aquela noite eu estava bem animada...dancei bastante, bebi bastante e conversei bastante...

Falei com todas as pessoas que estavam a sua volta, falei com pessoas que eu nem conhecia, falei com pessoas que eu já conhecia, mas vc... vc... eu não fui falar! Talvez porque vc era muito alto e isso me causaria um certo sufocamento (se é que existe essa palavra), talvez porque vc me olhava com curiosidade malício-homenística-infantilizador desenteresse, talvez porque gostei da linearidade, das linhas e do contorno da sua boca.

Juro que foi a primeira coisa que eu reparei! E a última também... era a única coisa que conseguia me lembrar de vc no dia seguinte! E confesso que é a memória mais viva de quando fecho os olhos e tento lhe imaginar!

Acontece que naquele dia houve entre nós dois uma coincidencia! O que eu diria coincidência poética...

No instante em que eu só conseguia olhar a sua boca, um veículo contornava a serra do mar e sentia que estava cada vez mais próximo da praia, ele sentia o cheiro da maresia... No instante em que você derrubou uma gota de cerveja no meu pé, caiu da árvore uma folha, lentamente ao chão anunciando que eu algum lugar do mundo a chuva estava se aproximando... No instante em que vc me segurou no banheiro, uma criança nasceu e a mãe emocionada abraçou-a e beijou-a, mesmo suja de sangue, mas de seu sangue... No intante em que nos beijamos houve uma explosão no espaço, morria uma estrela que já estava se apagando e deu vida a outras pequenas estrelas que iluminam tanto, mas tanto que podemos ver sem o auxilio de um telescópio... Quando terminamos de nos beijar alguém partiu, alguém sentiu a ausência de um parente que esta voltando pra casa depois de uma longa temporada juntos...

Nesse instante, alguém cai no chão, uma folha nasce, um bebe chora, alguém morre... e outra morre... e outra morre...

Enfim, estamos unidos pelo contexto... Não há matemática, não há lógica para os encontros... São milhares de coisas que acontecem ao mesmo tempo, nunca é coincidencia o encontro entre as pessoas! Não há matemática existencial, não há matemática pra nossa vida... não há exatidão... Mas eu sei que acontece e acontece muito bem!

Beijos com muito muito muito carinho,
Anne

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