Sonhei que escrevia assim:
"Nosso amor não tem tradução
Até cabeça de bigorna têm em alemão"
É só uma necessidade de expressar o que, dentro, voluptuosamente, é a lava violenta do meu coração.
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Dilúvio
Agora era como o dilúvio. Passara tempos em cima de um tripé, hoje foi concedida duas pernas, agora ela podia andar e ir para onde quer e talvez sempre quis, mas por que sentira tanta falta daquela terceira perna que a deixara imóvel?
O vento que bate no quarto é denso e pesado, quase a derruba, imóvel... Não tem como começar a pensar o que fazer a partir de agora, disseram que há de esperar pelo tempo. Mas como esperar pelo tempo se o tempo que é o instante- já faz sentir o pouco tempo que passa? Mas como esperar pelo tempo, se o tempo é que continua a prende-lá nesse chão, frio, nesse ar pesado, imóvel e denso?
Ela já não sabia mais o que fazer. É de uma tristeza quase alegre que enfim conseguiu tirar a terceira perna, mas acostumara com o equilíbrio estático da terceira perna..
Escreve para tentar salvá-la dessa angústia, mas só consegue salvar o lápis e o papel, por terem sidos retirados do seu habitat para servir ao pequeno homem que não encontra soluções apenas poucos alívios. O pequeno homem que tenta fazer da arte sua revolução, mas não ajuda a ninguém, tão pouco a si mesmo.
Cansada mas sem estar feliz, levanta lentamente desse chão, mas ainda não sabe para onde ir, todos os caminhos que reluzem só levam ao abismo, acreditou que primeiramente precisa sair do chão quando estiver completamente curada. Lembra a todo o instante de sua terceira perna, que a deixava em pé, olhando pra um só caminho. Mas agora seria ridículo sentir saudades dela que tanto a desejou sua extinção. Porém se sentiu ridícula mesmo assim e deixou a ridiculeza tomar conta do seu ser, sabe que sendo ridícula, irá mais próximo dela mesma, acostumou-se com a idéia de ser ridícula. Achou graça, afinal o ridículo leva ao riso. E riu mais uma vez e passou instante duradouros a rir, já faz tempo que ve sua situação como o centro de um grande circo, ela consegue ser o personagem engraçado dela mesma...
O vento que bate no quarto é denso e pesado, quase a derruba, imóvel... Não tem como começar a pensar o que fazer a partir de agora, disseram que há de esperar pelo tempo. Mas como esperar pelo tempo se o tempo que é o instante- já faz sentir o pouco tempo que passa? Mas como esperar pelo tempo, se o tempo é que continua a prende-lá nesse chão, frio, nesse ar pesado, imóvel e denso?
Ela já não sabia mais o que fazer. É de uma tristeza quase alegre que enfim conseguiu tirar a terceira perna, mas acostumara com o equilíbrio estático da terceira perna..
Escreve para tentar salvá-la dessa angústia, mas só consegue salvar o lápis e o papel, por terem sidos retirados do seu habitat para servir ao pequeno homem que não encontra soluções apenas poucos alívios. O pequeno homem que tenta fazer da arte sua revolução, mas não ajuda a ninguém, tão pouco a si mesmo.
Cansada mas sem estar feliz, levanta lentamente desse chão, mas ainda não sabe para onde ir, todos os caminhos que reluzem só levam ao abismo, acreditou que primeiramente precisa sair do chão quando estiver completamente curada. Lembra a todo o instante de sua terceira perna, que a deixava em pé, olhando pra um só caminho. Mas agora seria ridículo sentir saudades dela que tanto a desejou sua extinção. Porém se sentiu ridícula mesmo assim e deixou a ridiculeza tomar conta do seu ser, sabe que sendo ridícula, irá mais próximo dela mesma, acostumou-se com a idéia de ser ridícula. Achou graça, afinal o ridículo leva ao riso. E riu mais uma vez e passou instante duradouros a rir, já faz tempo que ve sua situação como o centro de um grande circo, ela consegue ser o personagem engraçado dela mesma...
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Assolada com a certeza do engano
Bem eu que achei que os mortos assombrados, podres fétidos e cadavéricos me encontrariam quando eu me distraísse diante de alguma escuridão.
Bem eu que achei que falar com as pessoas amenizaria dores humanas, de corações fracos, tristes, impalpáveis, simplesmente vermelhos.
Mas hoje eu percebi que humanos de corações simplesmente vermelhos podem fazer sentir- me morta, assombrada, putrefata, podre, fétida, fraca, impalpável, distraídamente triste na escuridão.
Bem eu que achei que falar com as pessoas amenizaria dores humanas, de corações fracos, tristes, impalpáveis, simplesmente vermelhos.
Mas hoje eu percebi que humanos de corações simplesmente vermelhos podem fazer sentir- me morta, assombrada, putrefata, podre, fétida, fraca, impalpável, distraídamente triste na escuridão.
Mar
"(...) Mar de arremetes, mas que não cansas,
Mar de blasfêmias e de vinganças,
Como te invejo! Dentro do meu peito
Eu trago um pântano insatisfeito
De corrompidas desesperanças!"
Manuel Bandeira
Mar de blasfêmias e de vinganças,
Como te invejo! Dentro do meu peito
Eu trago um pântano insatisfeito
De corrompidas desesperanças!"
Manuel Bandeira
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