quarta-feira, 2 de setembro de 2009

ùltimos momentos de uma caquética barata

Eu, vou escrever um fato que acabei de presenciar na minha sala de jantar: As últimas horas de vida de uma caquética barata voadora.

Tenho medo, fico tomada de desespero e me coçando toda quando vejo uma barata. Acendi a luz para ligar meu computador e de repente (tchatchann) apareceu-me andando (mancando) na parede da sala de jantar uma barata voadora. Não pensei duas vezes, gritei bem alto pra minha mãe (na verdade dei um berro violento). Aí lá vem mamãe gritando desde lá de cima que eu era uma exagerada. Sim, de fato, posso ser uma exagerada (acho que sou mesmo) mas só eu sei o que acontece comigo quando vejo aqueles bichinhos asquerosos.

Mas enfim, vim aqui para relatar como foi os últimos momentos de uma caquética barata mas na visão da própria caquética barata.

Memórias póstumas de uma barata da sala de jantar

"Pois bem, agradeço a oportunidade de me expressar, pelo menos uma vez na vida -puxa vida (ou puxa morte), esqueci que agora estou morta. Enfim, agradeço poder me expressar mesmo na minha não- existência.
Na minha vida, sempre fui uma barata comilona. Entrava de fininho na geladeira, no pote de mel, me lambuzava na açucar e as vezes até curtia chupar o limão. Depois disso eu ia curtir com as minhas amigas baratonildas em qualquer canto que tivesse bastante baratões.
Na verdade sou muito inteligente, li de Sócrates à Dostoiévski. Me identifiquei muito com esse último naquele livro chamado (hummm, como é mesmo o nome? humm) Memórias do Subsolo. Sou uma barata muito prolixa, sei falar de muitos assuntos, de Doistoiévski (como eu disse antes, no Memória do Subsolo), de Clarice Lispector em A mulher que matou os peixes (mas não gosto daquela parte que ela diz assim: "Barata é outro bicho que me causa pena. Ninguém gosta dela, [como assim Dona Clarice?? e ela ainda continua dizendo assim...]e todos querem matá-la". [logo em seguida Dona Clarice fala uma coisa que eu acho muito bonita e sempre choro ao lembrar disso](...) "Tenho pena das baratas porque ninguém tem vontade de ser bom com elas. Elas só são amadas por outras baratas.")
Isso é verdadeiramente triste... Um dia fui amada (o) por uma barata (do outro sexo que eu, pq. eu não sei que sexo eu sou) chamado Barata também (engraçado sempre achei os nomes de barata uma coisa sem muita criatividade, todos se chamam baratas, as vezes baratinhas, as vezes baratões), enfim... nosso amor durou pouco tempo.
Sabe gente, eu já era velha quando morri com os latidos da cachorra Aretha e as chineladas da Laura, sem dizer aqueles berros violentos da menina que eu esqueci o nome (era complicadinho o nome dela). Eu estava caquética porque tentei voar antes de desenvolver minhas asas.
Fui afobada, ansiosa, desesperada. Achei que já tinha asas mas não as tinha ainda, aquilo eram apenas protótipos asiáticos. Dei mancada, tentei voar e fiquei manca. Não corri, não pedia ajuda. Tampei meu nariz quando me jogaram aquele spray gelado que me deixou doidona em estado de alucinação, corri um pouco, mas a canina me encontrou, logo a menina do nome complicado gritou: "Olha ela aí", aí, logo em seguida, veio Laura com a vassoura e o chinelo na mão, me pegou no alvo, tentei correr, ainda me debatia, me debatia, me debatia... Mas fui vencida. Fui morta. Fui morrida!"

É risivelmente triste! Mas eu não ligo para baratas...

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