É só uma necessidade de expressar o que, dentro, voluptuosamente, é a lava violenta do meu coração.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Isso eu não disse...
Isso eu quase nunca falo
Mas é que eu ando triste
Pra caralho!
sábado, 24 de outubro de 2009
Dormindo...
Dormindo...
Dormindo....
Afundando...
Afundando...
Afundando...
No fundo (quando já estamos afundados e sonolentos) já estamos perdidos. No fundo (no sentido de cerne) ninguém quer compreender, pois compreender é entrar no outro com o risco de ficar moldado no gesso alheio. Mas se você quer compreender, tem que estar disposto a se perder e a abdicar um pouco do que é você.
Eu ando padecendo... As vezes não me reconheço. Dá um crise! Depois fico forte, mas, as vezes é de mentirinha. Passo na padaria e resolvo comprar bombons de cereja, as vezes compro pessego em calda e um bom sorvete de creme. E por um instante me sinto forte. E sei que fiz a melhor escolha do mundo. Quero dar três colheradas e jogar todo o pessego em calda e o sorteve de creme na pia. Ou os bombons de cereja na valeta, no esgoto. De propósito quero sentir uma dor no peito, de propósito que amassar uma flor- uma flor bem bonita da primavera, de propósito acerto uma pedra no gato.
Compartilho todo e qualquer padecimento a qualquer coisa bela que existe no mundo. Se eu não sou flor na primavera, sou o espinho da flor! De alguma forma tento ser eu, mesmo se sofro...
O que mais me irrita nesse mundo é brincadeira de mal gosto.
Ah, escrevi um negócio esse dias. Vou digitar aqui:
Há algo, ainda não sei o quê, que me leva ao abismo. Talvez o estado de "insatisfação crônica". Há nas profundezas um cheiro desagradável, que meus delicados sentidos morrem.
Morrer! Já estou me acostumando com esse prazer.
A dor em mim é sempre um prazer. Mas é a dor de poesia. Não suportaria, nem por um instante, perder minha mãe, meu pai, meus irmãos, meus amigos, meu amor...
Agora sou unilateral. Me dou só para um lado.
Acabo de chegar da balança, peso-me 63kg. Estou egoísta. Encho-me de dúvidas e inquietações.
Mas caindo pelo abismo, sou leve como um fio de cabelo da grama.. Estou chegando próximo do abismo.
Meu Deus, esqueci minhas pernas!
Não vou cair de pé...
Se sou um tronco sai rolando, se sou uma pedra sai quicando, se sou um ser- humano eu morri!!
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Meu...
Meu amor não se vende na feira
Meu amor é tudo o que tenho
Meu amor é algo divino
Meu amor é como a primavera
Meu amor é doce
Meu amor é só que posso oferecer
Meu amor só é explicavel quando não digo
Meu amor é a única coisa mais sincera que sai de mim
Meu amor é a juventude
Meu amor é arte
Meu amor é virtude
Meu amor é contra revolucionário (pois me dá preguiça de ir as ruas lutar, ao menos se tenho que lutar por ele)
Meu amor também é dor
Meu amor também é ponto de fulgor
Meu amor é tudo que posso dar
Meu amor é doçura
Meu amor é brisa leve do campo
Meu amor é cheiro de dama da noite
Meu amor é um quarteto de cordas
Meu amor é uma valsa
Meu amor é meu canto ali do canto
Meu amor é "simples como Bach"
Meu amor é arte abstrata
Meu amor é fauvismo
Meu amor não é romantico
Meu amor é vento nos cabelos
Com cheiro de dama da noite
Com os olhos fechados
Com a boca entre aberta
Com o medo na veia
Com o coração pronto
Meu amor é de madrugada
Meu amor é o instante- já
Meu amor é o tempo todo
Meu amor é tic tac como pulsação
Meu amor é o meu amor!
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Embebedar
A vida vazia
Aos homens sem caráter (porque descobri que existe gente que não tem caráter)
Um brinde a comida fria
Ao meu coração frito e amassado na cozinha.
Um brinde a doença psicótica
E a paixão platônica da mentira
Um brinde a ausencia
Um brinde ao coração abortado que minha mãe esqueceu de fazer.
Um brinde a minha melancolia
Um brinde quando eu rumino
Brindo a mentira
E ao amor
Em plena luz do dia
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
ùltimos momentos de uma caquética barata
Tenho medo, fico tomada de desespero e me coçando toda quando vejo uma barata. Acendi a luz para ligar meu computador e de repente (tchatchann) apareceu-me andando (mancando) na parede da sala de jantar uma barata voadora. Não pensei duas vezes, gritei bem alto pra minha mãe (na verdade dei um berro violento). Aí lá vem mamãe gritando desde lá de cima que eu era uma exagerada. Sim, de fato, posso ser uma exagerada (acho que sou mesmo) mas só eu sei o que acontece comigo quando vejo aqueles bichinhos asquerosos.
Mas enfim, vim aqui para relatar como foi os últimos momentos de uma caquética barata mas na visão da própria caquética barata.
Memórias póstumas de uma barata da sala de jantar
"Pois bem, agradeço a oportunidade de me expressar, pelo menos uma vez na vida -puxa vida (ou puxa morte), esqueci que agora estou morta. Enfim, agradeço poder me expressar mesmo na minha não- existência.
Na minha vida, sempre fui uma barata comilona. Entrava de fininho na geladeira, no pote de mel, me lambuzava na açucar e as vezes até curtia chupar o limão. Depois disso eu ia curtir com as minhas amigas baratonildas em qualquer canto que tivesse bastante baratões.
Na verdade sou muito inteligente, li de Sócrates à Dostoiévski. Me identifiquei muito com esse último naquele livro chamado (hummm, como é mesmo o nome? humm) Memórias do Subsolo. Sou uma barata muito prolixa, sei falar de muitos assuntos, de Doistoiévski (como eu disse antes, no Memória do Subsolo), de Clarice Lispector em A mulher que matou os peixes (mas não gosto daquela parte que ela diz assim: "Barata é outro bicho que me causa pena. Ninguém gosta dela, [como assim Dona Clarice?? e ela ainda continua dizendo assim...]e todos querem matá-la". [logo em seguida Dona Clarice fala uma coisa que eu acho muito bonita e sempre choro ao lembrar disso](...) "Tenho pena das baratas porque ninguém tem vontade de ser bom com elas. Elas só são amadas por outras baratas.")
Isso é verdadeiramente triste... Um dia fui amada (o) por uma barata (do outro sexo que eu, pq. eu não sei que sexo eu sou) chamado Barata também (engraçado sempre achei os nomes de barata uma coisa sem muita criatividade, todos se chamam baratas, as vezes baratinhas, as vezes baratões), enfim... nosso amor durou pouco tempo.
Sabe gente, eu já era velha quando morri com os latidos da cachorra Aretha e as chineladas da Laura, sem dizer aqueles berros violentos da menina que eu esqueci o nome (era complicadinho o nome dela). Eu estava caquética porque tentei voar antes de desenvolver minhas asas.
Fui afobada, ansiosa, desesperada. Achei que já tinha asas mas não as tinha ainda, aquilo eram apenas protótipos asiáticos. Dei mancada, tentei voar e fiquei manca. Não corri, não pedia ajuda. Tampei meu nariz quando me jogaram aquele spray gelado que me deixou doidona em estado de alucinação, corri um pouco, mas a canina me encontrou, logo a menina do nome complicado gritou: "Olha ela aí", aí, logo em seguida, veio Laura com a vassoura e o chinelo na mão, me pegou no alvo, tentei correr, ainda me debatia, me debatia, me debatia... Mas fui vencida. Fui morta. Fui morrida!"
É risivelmente triste! Mas eu não ligo para baratas...
A relatividade do ser
Ela sentada no sofá com as pernas encolhidas fumando um cigarro e olhando os próprios pés. Não, não estava nem vendo o que olhava, pensava simplesmente nele. Ele em pé diante das taças de vinho, tentando imaginar o que ela poderia estar pensando. Sabia exatamente que ele era o sujeito que vagava nos pensamentos dela.
- Estratagemas! pensou Tereza aflita.
Pouco se conheciam. Há quase três anos que estavam juntos, mas nunca conversavam. A relação se baseava apenas na imaginação, ela pensando que ele era o que somente imaginava. Pensava e convencia-se que ele era o que estava no plano interior. Ele a mesma coisa, nunca foi capaz de interpretar um olhar de Tereza, nunca a escutou nem sabe direito as coisas que ela fala.
Diego e Tereza tinham assim, essa relação que se baseava na imagem da imaginação.
Enquanto Diego bebia o vinho, olhava Tereza. Tereza ainda com a cabeça baixa, já não olhava mais para seus pés, olhava o tapete, fingia observar a formiguinha que rebolava sobre a sala. Não pensara na formiga em nenhum momento, aliás só pensou que deveria olhá-la para que Diego não pensasse que ela estivera pensando nele.
Ele aproximou-se. Tocou em suas pernas, abriu-as levemente. Ela levantou seu olhar, em seus olhos clamava pelo silencio. Ele não queria ouvir, sabia que ela queria deixá-lo. Diego sempre apela à sexualidade, foi arrastando suavemente sua mão entre as pernas de Tereza. Tereza fechava os olhos, queria chorar, queria dizer: Basta!! Mas a única coisa que conseguia era apertar bem forte suas mãos, para não escorrer uma lágrima, substituiu o brilho e leveza de uma lágrima por suas unhas encravadas na palma de sua própria mão.
- Pare Diego! – disse Tereza
- Você quer terminar? – perguntou Diego
Tereza sabia que essa era a armadura de Diego. De uma semana pra cá, de uma mísera semana pra cá, Diego resolveu vestir-se em armaduras. Estava mais armado como nunca, armado até os dentes.
Logicamente Tereza se sentiu insegura com um canhão apontado em sua testa:
- Estratagemas! – pensou novamente Tereza. Diego exclamava palavras milimetricamente pensadas. Quando perguntou se Tereza desejava terminar com ele, olhou-a com piedade, pediu abrigo só para estar mais fortalecido, mais do que estivera na última mísera semana.
- Acho que me desempolguei Tereza. Não sei mais, estou confuso. Não sei se quero continuar com isso. Você quer terminar? Disse Diego, com os olhos altos, sem piedade, com o peito estufado e com os lábios entre- aberto, quase sorrindo, um sorriso doentio, satírico e humilhador.
Tereza olhou-o. Com um olhar assustado, em silencio pediu que lhe dissesse mais sobre aquilo. Pediu sem falar uma única palavra.
Diego prosseguiu:
- Você suportaria viver sem mim?
Tereza andava tristonha naquela última semana, sentiu que Diego levantava muito seu olhar, respirava mais fundo, comia mais e desenrolava qualquer assunto com mais facilidade. Ela que sempre desejara a tranqüilidade, agora tinha que se preocupar com o ego do homem em que era casada.
Repeti com ódio para si mesma:
- Ele se armou. E agora? Meu Deus, quais são minhas armas??
Tereza não tinha arma, nem sabe o que era isso e foi caindo, caindo, caindo até que chegou lá em baixo e a mesma proporção que ela despencava Diego subia, subia, subia. Proporcionalmente inverso.
Prazeres violentos têm fins violentos.
**Conto baseado em quatro distintas histórias. Mas a conclusão é a mesma matemática, aritmética e exatidão de sempre... A segurança do ser- humano é proporcionalmente insegura para o mesmo. Prazeres violentos têm fins violentos, é como o show de uma orquestra, aquela porção de instrumentos tocados de uma vez te leva ao mais perturbador prazer. Conto sem doçura..........